
Duas horas para começar a cerimônia. Tadeus tinha acabado de chegar. Me escondi nas árvores que cercavam a casa para que ele não me visse. Estava de terno e parecia radiante, todos pensariam que era por estar se casando, mas eu sabia bem o motivo de ele estar sorrindo e aquilo me dava nojo.
Ele parou na entrada da mansão e quatro homens bem fortes se posicionaram ao lado dele. Aquilo não era um bom sinal. Me aproximei mais um pouco da entrada para que pudesse ouvir o que ele estava falando aos homens.
-Não quero interrupções no dia de hoje. Vocês estão me entendendo? Qualquer pessoa que não estiver na lista de convidados e tentar entrar, podem expulsar e se ela insistir permito que façam uso da violência. – Ele tirou um papel do paletó e abriu mostrando aos homens, pelo que pude ver era uma foto minha. Onde ele tinha conseguido? – E se esse rapaz aparecer aqui, vocês estão permitidos a usar as armas que dei a vocês.
Os homens não pareciam chocados com aquelas ordens, com certeza já tinha matado muita gente antes. Confesso que aquilo me fez tremer. Os quatro homens se posicionaram na entrada da mansão tão parados quanto os guardas reais. Aquilo iria atrapalhar um pouco os meus planos.
Angel
Eu estava nervosa, caminhando de um lado para o outro. Ofegando. Ouvi um barulho na porta e a voz da minha tia perguntando se poderia entrar. Permiti.
-Ai, meu Deus, como você está linda. – Ela sorriu ao me ver – O vestido realmente combina muito com você.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
-Nem acredito que vocês vão se casar. Lembro de quando eram apenas crianças e brincavam juntos. – Sorri – Seus pais estariam tão orgulhosos e felizes no dia de hoje.
Aquilo me atingiu. Falar sobre os meus pais me deixava frágil.
-Eu adoraria que eles estivessem aqui. – Tudo estaria melhor se meus pais estivessem aqui.
Não consegui me controlar e chorei. Por sorte a maquiagem era a prova d’água, fui contra a maquiagem, afinal de contas eu não iria me emocionar, bem, meu erro. Respirei fundo e tomei o controle de novo.
-Desejo toda a felicidade do mundo para o casal. – Ela acariciou o meu braço e olhou para a porta quando Amanda entrou.
-Oi! – Ela disse para a minha tia – Não sabia que estava acompanhada, vou esperar lá fora para não atrapalhar a conversa.
-O que é isso querida, não precisa. Pode ficar aqui, tenho que falar com o noivo.
Minha tia saiu do quarto e me deixou a sós com Amanda. Ela foi até a porta para ver se minha tia não estava atrás dela escutando e então correu para falar comigo.
-O Ed está aí embaixo. Ele me ligou e disse que o Tadeus contratou seguranças para não permitirem a entrada dele. – Sentei na cadeira e me deixei ficar nervosa.
-Não vai dar certo. E agora? O que vamos fazer?
-Calma, fica tranquila. O Ed me disse que vai dar um jeito de despistar eles enquanto você foge com o carro que vai te esperar aqui na frente.
-Mas quem vai dirigir o carro? O Ed tinha me dito que era ele quem fugiria comigo.
-Angel, ele vai encontrar com você depois, não tenho tempo para explicar tudo agora. Quem vai dirigir é o Chad, ele se dispôs a ajudar.
Eu estava com um mal pressentimento sobre aquilo. Tudo estava saindo do controle.
Tadeus
-Olá mamãe. – Lhe dei um beijo no topo da cabeça e sentei no sofá do quarto em que estava.
-Você está tão lindo.
Me olhei no espelho e tinha que concordar com ela, eu realmente estava lindo. Uma pena ficar viúvo tão cedo. Sorri por dentro.
-Como está a Julie?
-Está nervosa, dá para perceber de longe, mas é normal no dia de hoje. A amiga que está com ela deve ajudar com isso. Engraçado, sinto que a conheço de algum lugar. – Minha mãe sentou ao meu lado.
-Acho improvável, ela era amiga da Julie nos tempos em que ela era prostituta. Só permiti para que a coitada pudesse ter algum convidado. A lista dela estava praticamente vazia. Coitada, parece que não fez muitas amizades no antigo trabalho. – Minha mãe e eu rimos.
-Hoje é o dia em que vamos mudar de vida, meu querido. Finalmente depois de anos vamos dar o primeiro passo para a felicidade.
-Não vejo a hora de ter terminado essa caminhada e estar apenas aproveitando os frutos.
Peguei um doce que tinha em cima da mesa de centro. Olhei no relógio e faltavam quarenta minutos. Pelo barulho no andar de baixo os meus convidados já tinham chegado. Levantei-me.
-É melhor eu fazer as honras para os convidados enquanto a noiva não desce.
-E sobre aquele problema?
-Já está resolvido, o Ed não vai conseguir pôr os pés nesse lugar. Os seguranças receberam ordens para atirar assim que o virem. Mais um problema exterminado hoje.
Minha mãe e eu saímos do quarto e fomos para a parte de baixo da casa. No momento em que estávamos no último degrau senti minha mãe apertar o meu braço. Olhei preocupado para ela.
-O que houve?
-Lembrei.
-Lembrou o que?
-De onde conheço a garota. – Minha mãe segurou o meu rosto com força – Ela estava no hospital no mesmo dia que o ex da Julie. Ela o estava acompanhando junto com um cadeirante. Tadeus, essa menina não era prostituta, ela é amiga do tal Ed.
P.S.: Esse capítulo foi grande, mas aguardem o de amanhã. Vai ser gigantesco. E finalmente vão descobrir quem vai morrer… Só digo uma coisa: Não me matem :(
E vamos ter um hiato porque eu quero dar um tempo para vocês depois do capítulo de amanhã. A fic vai voltar no dia 10 de junho :D

Ed
O lugar era chique. Olhei para a mansão onde a Angel ia se casar. Amanda tinha me dito a localização do lugar. Ela estava de espiã lá dentro.
Olhei ao redor da casa. Tinha um grande muro que cobria todo o entorno da casa ia ser difícil de entrar, mas eu tinha que encontrar uma passagem para que o plano desse certo.
Meu celular tocou. Era o Chad.
-Então, como está indo? – Ele me perguntou.
-Ainda estou dando uma olhada no local, faltam quatro horas para o casamento. Tenho um tempo até que tudo comece. – Enquanto falava com o Chad fui olhando a casa.
-Espero que dê mesmo tudo certo, Ed. Essa sua ideia me parece um pouco perigosa.
-Eu sei disso, mas é um plano perfeito. E pelo que estou vendo não vai ter muito como dar errado.
-Boa sorte.
-Obrigado.
Terminei de fazer a vistoria na casa e liguei para Amanda. Ela apareceu na janela do quarto e acenou de leve para mim, depois de um tempo Angel apareceu do lado dela. Estava linda, os cabelos caíam em cachos pelos seus ombros, estava maquiada, não que precisasse, mas aquilo só realçava ainda mais a beleza dela.
-Eu te amo. – Disse a Angel quando Amanda lhe entregou o celular para ela falar.
-Eu também te amo.
-Não se preocupa, esse pesadelo vai acabar. Hoje ainda. – Sorri para ela.
-Espero.
Nós dois ficamos em silêncio, apenas nos olhando. Ela no quarto, dentro da mansão e eu do lado de fora, escondido atrás de árvores.
-Tenho que desligar, antes que a minha tia entre.
-Tudo bem, até daqui a pouco.
-Até.
Assim que o telefone foi desligado senti uma pontada no peito. Algo ruim. Olhei de novo para a janela e Angel não estava mais lá. É só uma impressão Ed, apenas uma impressão.

Tadeus e eu decidimos não convidar ninguém. Eu, basicamente, não tinha amigos aqui em Londres. Pensei em chamar Feist, mas eu não ia querer que ela viesse para esse casamento e meus parentes não iam gostar da presença dela ali. Decidi que chamaria Amanda, já que Tadeus e minha tia não sabiam da ligação dela com o Ed.
Tadeus chamou alguns conhecidos, poucos, que tinham em Londres. Como não tínhamos mais parentes essas eram as únicas pessoas da nossa lista de convidados. Sei, lotada. O casamento seria em uma velha casa de Londres, era uma antiga mansão e hoje em dia tinham se tornado em um lugar para eventos. O lugar era lindo. Tinha um jardim imenso com estátuas e arbustos tão grandes que formavam um labirinto fácil de se perder.
A casa tinha um primeiro andar e aparência majestosa. Toda feita de concreto com detalhes que me lembravam uma estrutura renascentista que vi nos museus que fui com o Tadeus. Tudo era lindo. Me perguntei várias vezes porque tudo tinha que ser tão lindo para aquela ocasião.
-O que você está achando do local? – Disse Tadeus enquanto fazíamos um tour pelo local.
-É incrível. Antes mesmo da decoração e já acho tudo lindo. Não tem o que falar, o casamento vai ser aqui.
Alguns dias depois
Chegou o grande dia.
Eu cheguei primeiro a casa onde o casamento seria realizado, pois toda a equipe que contratei para me arrumar ia para lá. Amanda também estava lá, nervosa e gelada.
-Tem certeza que seus parentes não sabem sobre mim? – Ela disse sem abrir a boca, sorrindo nervosamente.
-Tenho, pode relaxar. Só finge que somos amigas de prostituição. – Nós demos risadas.
O cabelereiro começo a secar o meu cabelo. No quarto só estavam a equipe, eu e Amanda. Ela olhava o tempo todo para janela.
-Preocupada com algo? – Perguntei.
-E se não der certo Angel? E se o Tadeus descobrir antes da hora e você não conseguir?
Eu a entendi perfeitamente, pois também pensava nisso toda a hora. E se o plano do Ed não desse certo? Essa era a minha única chance de fugir do Tadeus, não teria outra dessas. Se tudo falhasse eu só tinha uma certeza… Acabaria morta.

Ainda não acredito que estou indo casar essa semana. Tudo bem, o Ed tem um plano para que o casamento não se realize, mas para todas as aparências eu vou me casar essa semana.
Os preparativos estão sendo feitos às pressas. Como já tínhamos acertado a maioria das coisas do casamento o único trabalho que tivemos foi antecipar, foi difícil convencer todos as pessoas que estavam trabalhando nisso, mas nada que um pagamento adiantado não resolvesse.
Minha tia e eu viemos escolher o vestido para o casamento. Tentei me mostrar empolgada com aquilo, vestidos e preparativos de casamentos nunca foram o meu maior sonho, para mim, antigamente, casar era como um sonho distante que apenas pessoas ricas podiam realizar e por isso desisti antes mesmo de essa ideia ter algum sentido.
A vendedora me mostrou vários modelos, desde com apenas uma alça até os tomara-que-caia, mas nenhum me chamou a atenção.
-Sei como é difícil escolher um desses, é quase como escolher a profissão que vai cumprir durante a vida toda. – Disse a vendedora.
Sorri desanimada para ela e fingi entender o que ela dizia.
-Mas você tem que escolher um Julie. – Notei que minha tia já estava impaciente com tantas provas de roupa.
Suspirei e olhei entre os cabides atrás de algum que me chamasse a atenção. Virei-me para a vendedora.
-Você não tem nenhum assim, sei lá, simples, apenas o vestido normal branco? Sem muitos babados, volumes e etc.
A vendedora me olhou dos pés à cabeça e fez um olhar de nojo, mas me levou até uma parte mais escondida da loja. Acho que poucas pessoas viam a essa parte, era a parte negra. A vendedora já não estava mais tão empolgada comigo e foi apenas dizendo a que marcas pertenciam, acho que era a única coisa que importava para ela. Caminhei pelos cabides e vi na minha frente exatamente aquilo que eu estava procurando. Era lindo, simples e lindo.
-Encontrei.
Minha tia sorriu e se aproximou.
Tirei o vestido da arara e mostrei a ela. Ele não era nem longo nem curto, ficava na altura do meu joelho. Parecia um vestido de verão feito com um tecido que me lembrava seda.
-Mas Julie, ele é tão… Simples.
-Por isso é prefeito. O meu casamento com o Tadeus vai ser algo simples, algo para concretizarmos o que temos. Não quero luxo, quero apenas a confirmação do que sentimos. O vestido não é o mais importante para mim. – Minha tia acariciou o meu ombro.
-Se é isso que quer, então está tudo ótimo. Pode provar e se ficar bom já podemos levar.
Era como se o destino estivesse agindo ao meu favor. O vestido ficou perfeito. Naquele momento eu notei que estava feliz por estar fazendo aquilo. Me deixei curtir o momento por um tempo, pensando que quem me esperaria no altar seria o Ed e não o Tadeus. Sorri ao imaginar aquilo. Se tudo desse certo esse pensamento poderia estar bem perto de se realizar.